sexta-feira, outubro 31, 2014

Em "Amantes Eternos" a melancolia dos vampiros denuncia a decadência dos vivos

Conhecido pelos seus protagonistas que vivem sempre à margem da sociedade, arrebatados pelo vazio existencial e, por isso, capazes de um olhar mais crítico e verdadeiro, o diretor Jim Jarmusch (“Estranhos no Paraíso”, “Down By Law”, “Dead Man”, “Flores Partidas”) agora acrescenta os vampiros a sua galeria de anti-heróis. Em “Amantes Eternos” (Only Lovers Left Alive, 2013) Jarmusch questiona como seria viver eternamente em um mundo de seres mortais. Como seres que atravessaram séculos por todas as cenas culturais, científicas e artísticas poderiam viver num mundo que parece ter esquecido de tudo que de mais importante a História ofereceu (como, por exemplo, o trágico destino das ideias do cientista Nikola Tesla), e vê no You Tube a sua única fonte de cultura e entretenimento. Ironicamente,  para os vampiros os mortais não passariam de “zumbis” – seres condenados pela morte a recomeçarem sempre do zero do esquecimento.

Parecia que o cinema já tinha mostrado tudo sobre os vampiros: seres da noite, mortos vivos, encarnação do próprio Mal, seres dotados de perigoso poder de sedução, amores platônicos entre vampiros e mortais, amaldiçoados com a imortalidade, doentes contagiosos etc. Mas faltava um diretor como Jim Jarmusch para trazer esse personagem para a sua galeria de anti-heróis underground, aqueles que vivem à margem da sociedade e que, por isso, são capazes de um olhar crítico para uma sociedade de resignados.

terça-feira, outubro 28, 2014

O humano, demasiado humano no filme "Relatos Selvagens"

O homem atual seria um Sísifo moderno? Assim como o personagem da mitologia grega, condenado a carregar eternamente uma enorme pedra ao topo da montanha, o homem estaria condenado a não encontrar Deus, sentido ou propósito na existência, a não ser encontrar a si próprio – o humano, demasiado humano. Esse é a desconcertante co-produção Argentina/Espanha “Relatos Selvagens”, seis curtos relatos de pessoas comuns diante de circunstância incomuns: situações extremas com muito humor negro (e bota negro nisso) onde acabam sendo despertados em cada um os instintos mais básicos de vingança e violência. Em falso tom de comédia, o diretor Damián Szifrón parece querer brincar com o espectador: afinal, estamos rindo do quê?

O cinema contemporâneo pode ser basicamente dividido em dois grandes núcleos temáticos: de um lado, o gnóstico: filmes onde a jornada de sofrimentos e provações do protagonista não decorre de uma falha de caráter, pecados ou de deformações inerentes à natureza humana – ao contrário, decorre de um universo corrompido ou ilusório que o aprisiona da qual tenta escapar através de uma iluminação interior; e do outro o que poderíamos chamar de “humano, demasiado humano”: filmes que são o inverso do pathos gnóstico – o homem sofre em decorrência da sua própria natureza, fraquezas, paixões ou obsessões.

A co-produção Argentina/Espanha Relatos Selvagens do diretor Damián Szifrón claramente se insere nesse segundo núcleo temático. O filme é composto por seis curtas independentes, unidos apenas pelo tema comum da violência e vingança. Com muito humor negro (e bota negro nisso), são apresentados relatos de personagens colocados em situações extremas onde o instinto selvagem de sobrevivência e autopreservação vem à tona das formas mais variadas.

domingo, outubro 26, 2014

A grande mídia ameaça: meu ódio será a sua herança

Tal qual uma serpente, um muro cinza escuro serpenteia o Brasil dividindo o País do Acre ao litoral. É com essa sinistra animação que o infográfico do site da “Folha de São Paulo” chamado “Folhacóptero” explica o cenário eleitoral brasileiro, em um previsível silogismo cuja conclusão é a de que somente os pobres e ignorantes mantêm a candidata Dilma Rousseff na frente das pesquisas eleitorais. Divisão e Muro são as metáforas que a grande mídia sistematicamente vem utilizando para explicar o cenário político. Enquanto publicações estrangeiras como a “The Economist” usam infográficos mais neutros e elegantes para explicar as desigualdades históricas do Brasil, nossa grande mídia usa a imagem do muro, simbolicamente carregada de ódio e separatismo. A grande mídia sabe que vive o fim do seu poder político-financeiro e parece querer deixar para a História o ódio como a sua única herança.

Quem não se lembra do filme clássico do mestre da violência, Sam Peckimpah, Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch, 1969)? Considerado o sexto melhor western de todos os tempos pela American Film Institute (AFI). O filme é um hino ao crepúsculo da era do Velho Oeste e da figura mítica do cowboy, com um general mexicano aparecendo em um carro vermelho no lugar do cavalo e metralhadoras e pistolas automáticas substituindo o tradicional revólver de seis tiros.

O mau presságio para os protagonistas do filme começa com a célebre cena quando entram em uma cidade e avistam um grupo de crianças que empurram dois escorpiões para um formigueiro para se divertirem com a imagem da violência no meio natural.

sábado, outubro 25, 2014

A "bala de prata" é sintoma do "tautismo" da revista Veja

Motivo de piadas e memes nas redes sociais, o verdadeiro remake do layout da capa de 2012 sobre a novela Avenida Brasil em mais uma “bala de prata” da revista “Veja” (matéria de capa sobre suposta denúncia de que Dilma e Lula sabiam de todos os esquemas na Petrobrás) é muito mais do que falta de criatividade ou preguiça de uma revista que definha financeiramente. É um sintoma do “tautismo” (tautologia + tautismo), fenômeno de fechamento da mídia em si mesma, a tal ponto que desaparecem as diferenças entre ficção e não-ficção, telenovela e notícia. A própria resposta dada pela “Veja” às críticas comfirma aquilo que pretende negar: através de um raciocínio tautológico diz que os acontecimentos são verdadeiros porque “teimosamente” têm relevância eleitoral... e por isso sempre acontecem na reta final das eleições!

O programa Redação Sport TV recebeu na semana passada o ex-presidente do Fluminense Francisco Horta. Famoso nos anos 1970 por ter montado a chamada “máquina tricolor” na base do “troca-troca” (intercâmbio ao invés de compra de jogadores), ele era entrevistado por André Rizek e Xico Sá. Para demonstrar a relevância do entrevistado, foram mostrados para os espectadores fac-símiles de edições do Jornal O Globo da época, com manchetes sobre o ex-dirigente.

Rizek, então, passou a fazer uma rápida contabilização do número de manchetes que o Fluminense gerava no jornal entre 1975-77. Para o jornalista, o sucesso da estratégia de Horta passou a ser discutido não pela sua contribuição para o futebol brasileiro, mas pela capacidade de Horta tinha em produzir manchetes para O Globo. Auto-referência: o jornal toma a si mesmo como medida para avaliação da realidade. O jornalista passou a confundir relevância midiática com relevância histórica.

sexta-feira, outubro 24, 2014

Em Observação: "Amantes Eternos" (2013) - por que os vampiros são melancólicos?

Profundos conhecedores de arte, literatura, música e cinema. Aristocráticos, vintages, sensíveis, e... melancólicos. Esses são os vampiros do diretor Jim Jarmusch em “Amantes Eternos” (Only Lovers Left Alive, 2013). Por que seres imortais e tão poderosos podem ser tão tristes e melancólicos? Esqueça os clichês de maldições, insaciabilidade por sangue e amores platônicos tão comuns nos vampiros para adolescentes da franquia “Crepúsculo”. Jarmusch recoloca o mito do vampiro na sua tradição romântica e literária. Mas tem algo mais: o toque gnóstico ao ver o vampiro como um ser privilegiado – ele jamais esquece, ao contrário dos mortais presos no ciclo vicioso morte-reencarnação-esquecimento.

quinta-feira, outubro 16, 2014

A simplicidade descolada, coxinhas 2.0 e o novo neoconservadorismo

Diga adeus a nomes de pratos requintados e ornamentais da culinária francesa, se despeça de bikes de alta performance, abandone esportes de elite. Agora prefira osso buco e rabada, bicicletas caloi 10 dos anos 1970 reformadas e peladas regadas a cervejas artesanais. O coxinha evoluiu para a sua versão “sustentável”: a simplicidade descolada. Eles são os novos tradicionalistas, uma simplicidade estudada e “descolada”, isto é, de grande valor agregado no mercado cultural. Sua psicografia é hoje explorada pelo marketing tanto político como de consumo – ele aspira à simplicidade, pureza e renovação, muito mais por atitudes do que por ações. Por isso, é campo fértil para crescer o neoconservadorismo: a aversão à Política como algo complicado e, por isso, suspeito e corrupto.

Assim como os Pokemons evoluem para se adaptar melhor às batalhas nos game cards, da mesma forma o chamado “coxinha” parece ter evoluído para fazer frente às críticas e rejeições que sempre marcaram a sua cena social: evoluiu para a “simplicidade descolada”, um novo tipo humano aparentemente mais “consciente”, antenado e sintonizado aos novos tempos mais politicamente corretos e sustentáveis.

Essa sua nova roupagem, esse verdadeiro coxinha 2.0 é o protagonista de uma série de programas da grande mídia e seguido por um séquito de fiéis jovens que se distribuem em inúmeras áreas onde exibem seus requintados gostos pela “simplicidade”: gastronomia, bebidas, futebol, bicicletas, moda etc.

quarta-feira, outubro 15, 2014

Aranhas, morte e identidade no filme "O Homem Duplicado"

Ver a si mesmo em uma réplica ou imagem sempre foi considerado um evento misterioso e mágico. Em muitas culturas, ver o próprio duplo pode ser um prenúncio da morte. Inspirado em livro do escritor português José Saramago, o filme “O Homem Duplicado” (Enemy, 2013) do diretor canadense Denis Villeneuve vai atualizar essa mitologia, trazendo-a para uma tradição de filmes que tematizam o problema da identidade: o que você faria se visse em um filme um ator que fosse uma réplica exata sua? Villeneuve vai explorar o tema psicanalítico da busca da identidade através do espelho. Uma jornada perigosa, pois nesse caminho podemos nos confrontar com os nossos desejos mais íntimos, criando uma nova ordem: caos é a ordem que ainda não foi decifrada.

Em um cultura atual de selfies e timelines das redes sociais repletas com nossas fotografias fica difícil imaginarmos um tempo onde as pessoas podiam ficar com medo das suas própria imagens.

Do espelho à fotografia, a contemplação de uma réplica de si mesmo sempre foi considerado um evento misterioso, como, por exemplo, todo o misticismo que cerca os espelhos ou os primórdios da fotografia – as pessoas ficaram assustadas com a fidelidade do resultado, só se tornando popular depois que descobriram que era possível retocá-las. Ou seja, depois de que elas passaram para o campo da simulação.

domingo, outubro 12, 2014

Ebola é bomba biológica ou semiótica?

Desde que os nazistas elaboraram as primeiras peças de propaganda antitabagistas durante a Segunda Guerra Mundial, sabe-se que a questão da saúde é uma poderosa arma semiótica. Ebola, vaca louca, gripe aviária, gripe suína e outras ameaças sazonais de pandemias, mais do que ameaças biológicas, tornaram-se bombas semióticas arquitetadas para criar vitimização, culpa e segregação. O ebola é agora a pandemia da moda onde, no Brasil, surge em um “timing” perfeito: o segundo turno das eleições presidenciais. A grande mídia cinicamente anuncia que a informação é a única forma para “tranquilizar a população”. Um pouco de teoria semiótica revela que as manchetes da grande mídia são tudo, menos informativas: elas são “performativas”, desenvolvem uma ação – ambiguidade, boatos, medo e segregação.

Nos anos 1990 e no auge da carreira como técnico do Palmeiras na chamada vitoriosa era Parmalat, Vanderlei Luxemburgo sabia como ninguém manipular os jornalistas esportivos e as mesas redondas de debates da TV. Após mais um jogo do Palmeiras, Luxemburgo, no meio de uma coletiva para a imprensa, disparava do nada: “quero aproveitar esse momento e dizer que eu jamais fui sondado pelo Corinthians. É tudo mentira!”. Os jornalistas se entreolhavam: quem disse isso? De onde partiu essa informação?

Pronto! Era tudo o que Luxemburgo queria. O seu balão de ensaio corria como fogo em rastilho de pólvora pelos debates nas TVs. E os desmentidos da diretoria do Corinthians só alimentavam ainda mais os boatos.

Luxemburgo nada mais fazia do que explorar a natureza performática da linguagem: os signos não apenas existem para designar o mundo – eles são proferidos dentro de um contexto, o que resulta numa ação performativa. Segue-se que toda comunicação tem uma função constatativa (o enunciado, a informação, o relato factual) e outra performativa - a enunciação onde implicitamente podem estar comandos como ordens, pedidos, ofensas, promessas, apostas etc.

sábado, outubro 11, 2014

"Jogo de Cena" embaralha cartas da ficção e do real

Câmeras de vigilância, celulares através dos quais performamos constantes selfies, telas de computador, de TVs e de cinema, imagens dos indivíduos captas pelas câmeras de vitrines nos shoppings e exibidas para os próprios consumidores etc. Estamos cercados de dispositivos visuais que acabaram criando uma espécie de saber inconsciente audiovisual: criamos nossas próprias auto-mis-en-scènes. Sabemos criar personas através do cinema e fotografia, de tal maneira que ficção e História, ilusão e realismo acabaram se fundindo na modernidade. Esse é o tema latente no documentário “Jogo de Cena”(2007) de Eduardo Coutinho: anônimos contam suas histórias, enquanto atores tentam reencenar essas narrativas anônimas. Quem é ator e quem é anônimo, quem é profissional e quem é amador diante da câmera? Esse é o vertiginoso jogo proposto por Eduardo Coutinho.

Na banalidade do cotidiano estão os rastros da verdade. Esta parece que foi a grande revolução estética trazida pela modernidade, desde que Vitor Hugo escreveu que uma sociedade se conhece através do seu esgoto, ou quando Marcel Proust descobre as memórias involuntárias em cheiros, flagrâncias e sons do dia-a-dia na sua obra-prima Em Busca do Tempo Perdido.

Graças a essa revolução na sensibilidade moderna, desviamos nossa atenção artística das grandes narrativas dos gêneros tradicionais (tragédia, comédia, drama etc.) com seus temas elevados sobre heróis, nobres ou pícaros, para a vida dos esquecidos nas multidões. A fórmula foi invertida: o anônimo tornou-se o objeto artístico e o seu registro através da fotografia e o cinema como as novas obras de arte.

Por isso, o documentário Jogo de Cena de Eduardo Coutinho se inscreve nessa tradição modernista da linha de Dziga Vertov e seu filme O Homem da Câmera de 1929 ou  Berlin – Sinfonia de uma Metrópole (1927) de Walther Huttmann: trazer para a cena artísticas as massas e os anônimos.

quarta-feira, outubro 08, 2014

Adendo ao post "Sociedade de Consumo e o ovo da serpente do PT": César Tralli, MasterChef e o metrô

Após a publicação da postagem anterior “Sociedade de Consumo e o ovo da serpente do PT” uma curiosa sequência de eventos sincrônicos em questão de horas foram vivenciados por esse humilde blogueiro. Suspeitas de supostas mensagens subliminares do PT no metrô de São Paulo, palestra do jornalista César Tralli em uma Universidade, leituras de time lines do Facebook no metrô e as humilhantes “lições de vida” meritocráticas do reality MasterChef da Band. O ovo está se quebrando e através da fresta um olho ameaçador observa o futuro.

Cinco horas da tarde na conexão CPTM/linha amarela do metrô na Estação Pinheiros em São Paulo. Seguindo a multidão que se aperta preparo-me para descer mais uma escada rolante. Dou de cara com um cartaz de viagens turísticas para Cuba. O nome do país  em destaque com uma estrela logo abaixo com a foto de uma paradisíaca praia dominado o anúncio.

Atrás de mim, dois jovens trajados com roupas sociais e mochilas, indicando que estão saindo do trabalho. Param de conversar entre si e olham para o grande cartaz. “Olha lá: Cuba... e uma estrela vermelha embaixo... não lembra coisa do PT?”. Trocam rapidamente sugestões de um possível propaganda subliminar do partido. E voltam a conversar sobre empresas para trabalhar, falando daquelas “que te achincalham” e daquelas “que te tratam bem”, nas palavras dos jovens.

terça-feira, outubro 07, 2014

Sociedade de Consumo e o ovo da serpente do PT

Qual o significado de  uma comédia brasileira chamada “O Candidato Honesto” (sobre um candidato à presidência popular, corrupto e mentiroso) ser lançada nos cinemas em plena reta final das eleições? Mais do que senso de oportunismo mercadológico, a produção surfa na onda da aversão popular à Política e o fenômeno da despolitização. A inclusão de grande parte dos brasileiros na sociedade de consumo implementada pelo neodesenvolvimentismo dos governos do PT parece mandar a conta: chocou o ovo da serpente que agora arma o bote. Sem educação política, a sociedade de consumo brasileira produz os efeitos ideológicos do próprio consumismo verificados desde o pós-guerra – ideologia meritocrática, ilusão de mobilidade social por meio do consumo de gadgets e aparatos tecnológicos,  a competitividade e o ressentimento. Combustíveis para o discurso midiático da corrupção que ironicamente só cola no PT.

O cinema tem uma longa tradição de representar os políticos (assim como os jornalistas) como personagens corruptos, que abusam da autoridade e sempre metidos em narrativas conspiratórias de negociações obscuras ou figurados como fantoches de interesses inconfessáveis.

A comédia brasileira O Candidato Honesto, de Roberto Santucci, é o último exemplo desse clichê cinematográfico. Pelo oportunismo de ser lançado em plena reta final da campanha eleitoral, o filme se reveste de significado político inegável – o reforço de um sentimento anti-política alimentado pela oposição ao Governo Federal como arma de impedir a reeleição de Dilma Rouseff.

sábado, outubro 04, 2014

"O Doador de Memórias" e a terceira onda do Gnosticismo Pop no cinema

Com o filme “O Doador de Memórias” (The Giver, 2014) Hollywood acrescenta mais uma produção a uma série de filmes sobre mundos distópicos dominados por estados policiais totalitários. Essas produções vem retomando símbolos e narrativas gnósticas, mas dessa vez em uma nova fórmula:  um mix de Gnosticismo com “1984” de Orwell e “Admirável Mundo Novo” de Huxley. Essa terceira onda de Gnosticismo pop no cinema, assim como nas ondas anteriores, está relacionada com alterações nos paradigmas tecnológicos. Na atualidade, o projeto da Internet das Coisas e a nanotecnologia, criando possibilidades de geolocalização e controle total da privacidade. A obsessão atual de Hollywood por essas distopias faz surgir teorias conspiratórias como a chamada “hipótese Fox Mulder”, extraída de um episódio da série “Arquivo X”.

O Doador de Memórias, adaptação do livro de 1993 The Giver de Lois Lowry (premiado best seller de ficção científica para o público jovem) é o último filme de uma série de produções recentes que exploram distopias futuristas totalitárias: Snowpiercer (2013), No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow, 2014), Elysium (2013), Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2013), A Viagem (Cloud Atlas, 2012), Oblivion (2013), Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014) etc.

Por que o público está sendo inundado com essas narrativas futuristas sobre novas ordens mundiais e estados policiais despóticos? Por que esse súbito interesse de Hollywood em nos fazer torcer por heróis que lutam por escapar de sistemas totalitários enquanto tentam encorajar a todos (inclusive o espectador) a fazer o mesmo?

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