quarta-feira, outubro 28, 2015

Curta da Semana: "Rabbit" - Alquimia e a essência sombria dos contos de fadas

Um curta que é um prato cheio de alusões a mitos alquímicos e à essência sombria dos contos de fadas originais, perdida desde as adaptações comerciais da Disney: é o Curta da Semana do “Cinegnose” – “Rabbit” (2005) do animador inglês Run Wrake. Um conto de fadas invertido onde as crianças tornam-se vilãs em uma narrativa surreal onde os pequenos protagonistas descobrem uma fantástica maneira de transformar moscas em joias – um homúnculo viciado em geleia de ameixa vermelha.

terça-feira, outubro 27, 2015

Mais louco é quem me diz - A exposição de Darcílio Lima, por Claudio Siqueira

Em junho deste ano houve a exposição "Darcílio Lima - Um Universo Fantástico" na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro. Cearense de Cascavel, tornou-se um dos principais artistas brasileiros do Movimento Surrealista, mas seu trabalho, assim como de muitos outros nomes do surrealismo mundial, contém influências gnósticas que passam, como sempre, despercebidas do grande público.


Conspiracionistas atestam que os conteúdos gnósticos presentes em obras midiáticas possuem o intuito de inculcar mensagens subliminares nas mentes do grande público; outros que tudo não passa de mera paranoia da parte de quem assim pensa. Outros ainda, que os autores de tais obras não teriam conhecimento real acerca das referências gnósticas presentes em suas obras. Se isso é verdade, ao menos teríamos, talvez, a prova cabal do Inconsciente Coletivo postulado por Carl Jung, posto que os mitos e arquétipos se repetem em obras midiáticas mambembes sem o conhecimento de causa de seus autores.

segunda-feira, outubro 26, 2015

"MasterChef Júnior", a adultificação das crianças e o fim da vergonha


O episódio do assédio sexual através das redes sociais sofrido pela menina Valentina na primeira edição do reality televisivo “MasterChef Júnior” é a ponta do iceberg de um movimento mais profundo e perigoso: o fim da vergonha como a barreira que continha a sedução pela barbárie e a adultificação das crianças pelas mídias. Sexismo, ódio, assédio sexual e intolerância que invadem as redes sociais lembram as sombrias profecias de escritores libertinos do século XVIII de que um dia as perversões privadas se tornariam virtudes públicas. E as crianças, transformadas em mini-adultos em um programa de final de noite onde correm contra o tempo segurando o choro, são o reforço motivacional para os telespectadores acordarem no dia seguinte e repetirem as mesmas situações na fábrica ou no escritório.

Os leitores devem já conhecer a opinião desse Cinegnose em relação ao reality show MasterChef da Band: é um bullying gastronômico – um programa de final de noite com o objetivo de reforçar subliminarmente a ideologia pela qual seremos regidos quando acordarmos no dia seguinte para trabalhar: o princípio do desempenho.

Correr contra o tempo em busca da eficácia, eficiência, produtividade, mérito e cumprimento de metas sob as chibatadas de algum superior do tipo gerente, diretor, gestor etc. MasterChef transforma isso em diversão ao nos deliciarmos em ver pessoas angustiadas e esbaforidas correndo contra o relógio sob gritos e olhares inquiridores de chefes de cozinha. Igual o que acontecerá com o telespectador no dia seguinte na vida real na fábrica, escritório ou em outra empresa qualquer.

sábado, outubro 24, 2015

Desperte da sua vida esquizofrênica com o filme "Eles Vivem"

Mais um daqueles filmes estranhamente proféticos. “Eles Vivem” (“They Live”, 1988) do mestre do terror John Carpenter parece antever de gadgets tecnológicos de vigilância como os drones até a atual agenda política global onde a Publicidade e as marcas transnacionais substituem as nações. Um sem-teto desempregado encontra uma caixa de óculos de sol que revela um estranho mundo submetido a uma espécie de hipnose coletiva que impede que enxerguemos os comandos subliminares na Publicidade e a ação de seres alienígenas infiltrados nas ruas e na TV. Uma ataque explícito à sociedade de consumo que vai muito além dos clichês da crítica ao consumismo: “Eles Vivem” revela o secreto mecanismo psíquico esquizofrênico que nos mantém prisioneiros do circuito fechado individualismo-consumo.

Assistir ao filme Eles Vivem (They Live, 1988) é uma experiência conflitante. O filme do mestre do terror John Carpenter (A Coisa, Halloween, Christine) ora parece uma sátira com atores protagonistas propositalmente canastrões e efeitos especiais que lembram os sci-fi B dos anos 1950, ora uma séria crítica social e política. Muitas vezes parece que Carpenter não que que levemos o filme a sério. Por outro lado, Eles Vivem torna-se um daqueles filmes subversivos que, depois do final, nos faz olhar para o redor para então passarmos a questionar tudo até o limite da paranoia.

O filme foi baseado no conto Eight O’Clock in the Morning de Ray Nelson sobre um homem que desperta de uma espécie de hipnose em massa para descobrir que a Terra é controlada por uma elite de empresários alienígenas com a ajuda da elite política humana. 

domingo, outubro 18, 2015

Editor do "Cinegnose" participa do "Outubro Rosa" com debate sobre mídia e identidade sexual

Esse editor do “Cinegnose” fará palestra sobre o tema “Sistema Financeiro e a Mídia na Construção da Identidade Feminina” dentro do evento “Outubro Rosa” em uma série de ações promovidas pelo Centro Acadêmico Manoel de Abreu (CAMA) da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa. O evento será nessa segunda-feira (19/10) às 18h no auditório da Santa Casa em São Paulo. Esse humilde blogueiro levará as contribuições das ferramentas da Psicanálise e Semiótica para entender como as mídias constroem as identidades sexuais e o seu impacto na vida de cada um. Os leitores do Cinegnose estão convidados.

Nesta segunda-feira (19/10) este humilde blogueiro fará palestra seguida de dabate sobre o tema “Sistema Financeiro e a Mídia na Construção da Identidade Feminina”. O local será no Auditório Paulo Ayrosa, no prédio do Hospital da Santa Casa, São Paulo, às 18h. Comporá a mesa de discussão Itali Pedroni Collini pela FEA-USP com sua pesquisa sobre o machismo no ambiente de trabalho.

Curta da Semana: "From The Big Bang To Tuesday Morning" - a História é evolução ou eterno-retorno?

A História humana é evolução? Decadência? Ou eterno-retorno? Será que o paletó e gravata já estavam à espera do homem, só aguardando que ele surgisse na face do planeta para, no final, enforcá-lo? O Big Bang eletrônico da TV só repetiu como farsa o Big Bang primordial? Essa é a sutil ironia e perplexidade do curta “From The Big Bang To Tuesday Morning” (2000) do animador canadense Claude Cloutier. O Curta dessa semana do “Cinegnose”.

sábado, outubro 17, 2015

A gnose selvagem no filme "Dente Canino"

Nas últimas décadas adaptações da Alegoria da Caverna de Platão  têm sido recorrentes em diversos filmes, nos mais diversos gêneros e narrativas. O filme grego “Dente Canino” (Kynodontas, 2009) é mais uma adaptação dessa alegoria, dessa vez numa surpreendente mistura do filme “A Vila” de Shyamalan com “Dogville” de Lars von Trier: para tentar manter a inocência dos filhos em um mundo corrompido, um pai os mantém isolados do exterior dentro de uma propriedade rural cercada por altos muros – a TV só mostra vídeos caseiros e a linguagem e sexualidade são manipulados e controlados a um nível patológico levando o conceito de educação doméstica para um extremo bizarro. “Dente Canino” mostra como a Alegoria da Caverna pode ser real, assim como as possibilidades de escaparmos por meio de uma gnose selvagem. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

"SOCRATES: Olhai! Seres humanos vivem em uma caverna subterrânea e têm a boca aberta em direção à luz. Esses homens estão aí desde a infância, e têm suas pernas e pescoços acorrentados para que eles não possam se mover e só consigam ver a frente deles, sendo impedido pelas cadeias de virar suas cabeças. Acima e atrás deles há uma fogueira acesa, e entre o fogo e os prisioneiros há um caminho elevado; e você verá diante deles um muro baixo construído ao longo do caminho como fosse uma tela onde sombras projetadas pelo fogo mostram homens passado ao longo da parede transportando todos os tipos de vasos, e estátuas e figuras de animais feitas de madeira e pedra e vários materiais. Alguns deles estão falando, outros em silêncio.

Glauco: Você me mostrou uma imagem estranha, com estranhos prisioneiros.

SÓCRATES: Assim como nós mesmos ... (Platão, A República, Livro VII)

quinta-feira, outubro 15, 2015

Cinco evidências de que vivemos em uma simulação

Desde que o filósofo e matemático Nick Bostron sugeriu em 2003 que o universo poderia ser uma simulação produzida algum supercomputador quântico alienígena, físicos, matemáticos e astrofísicos vem procurando evidências  dessa hipótese. O “Cinegnose” vai resumir as atuais cinco principais evidências: O Princípio Antrópico e o Paradoxo de Fermi, Mecânica Quântica e Modelagem da Simulação, Universo Pixelado, Falhas na Matrix, Raios Cósmicos e a Grade da Simulação. Uma discussão à primeira vista delirante, mas que envolve lógica e números. E, claro, a inspiração do imaginário cinematográfico dos filmes gnósticos. Uma discussão que pode resultar em profundas consequências espirituais e religiosas nas nossas vidas.

Há milênios filósofos como Platão especulam que a vida como a conhecemos talvez não seja real. Com o advento da era da computação, essa ideia ganhou um novo impulso, principalmente quando a cultura pop passou a debruçar-se sobre o tema chegando ao imaginário cinematográfico em filmes como A Origem, Dark City, 13o Andar e a trilogia Matrix dos Wachowski.

Em duas postagens anteriores o Cinegnose desenvolveu esse argumento do Universo como simulação computacional finita a partir de pesquisas da Universidade de Bonn, Alemanha, onde uma equipe de cientistas tenta substituir a ideia de espaço-tempo contínuo pela busca de uma “assinatura cósmica”: minúsculos espaços cúbicos parecidos com grades – pixels? – sobre isso clique aqui.

domingo, outubro 11, 2015

Curta da Semana: "La Boca Del León" - o primeiro exorcismo telefônico do cinema

É possível um ato de exorcismo através do telefone? É o que os personagens do curta espanhol “La Boca Del Léon” (2013) tentarão desesperadamente confirmar: seguir as instruções de um padre exorcista através de um smartphone, que ao mesmo tempo registra as imagens dos momentos de terror em longos planos sequências. Inteiramente produzido através de um IPhone, o curta é interessante não apenas por trazer para o universo dos curta-metragens o subgênero “found-footage” de “Bruxa de Blair” e “Atividade Paranormal” – é também um exemplo da mudança da representação do Mal no cinema atual: a maldade agora é um fenômeno de natureza viral e epidemiológica.

sábado, outubro 10, 2015

Top 10 de filmes e séries que estranhamente previram o futuro

A vida imita a arte? Ou há algo mais complexo nas relações entre a ficção midiática e os eventos reais? O Cinegnose tenta dissecar essa questão fazendo o Top 10 dos filmes e séries que supostamente teriam previsto eventos reais como atentados, assassinatos, descobertas científicas e conquistas tecnológicas. Profecias? Coincidências? Ou contaminações sincromísticas do “continuum” midiático que envolve a todos nós?

Para o Gnosticismo a realidade é uma ilusão. Para além das considerações filosóficas, ontológicas ou cosmológicas dessa afirmação, para o Cinegnose a hipótese sincromística seria mais um argumento a favor dessa suspeita gnóstica. Pelo Sincromisticismo, as relações entre a realidade e as narrativas ficcionais midiáticas sobre a realidade são mais complexas do que o velho provérbio de que “a vida imita a arte”.

Haveria uma complexa relação entre os conteúdos midiáticos sedimentados em memes e arquétipos e os acontecimentos sociais, econômicos e políticos. A onipresença dos meios de comunicação criaria um “contínuo midiático atmosférico” que apresentaria estranhas contaminações da ficção na realidade. E o movimento contrário: a realidade contaminando a ficção, de maneira que filmes tornam-se peças de uma agenda (agenda setting) política ou econômica mais ampla.

segunda-feira, outubro 05, 2015

Jesus foi o primeiro criador de memes?

Além de ressuscitar mortos, multiplicar peixes e pães e supostamente redimir a humanidade, Jesus também realizou um milagre semiótico: através das parábolas superar o problema da memória da comunicação oral presencial – passado o calor do momento, tendemos a esquecer o conteúdo da comunicação. Graças às fortes alegorias e a narrativas curtas e circulares, suas parábolas se tornaram virais, assim como os atuais memes nas redes sociais. Os memes repetem a mesma estrutura narrativa alegórica, dessa vez em uma outra mídia efêmera – as timelines e chats dos ambientes digitais. Uma estrutura narrativa marcada por dois fatores que impulsionam o alcance de vídeos e imagens: “importância e “ambiguidade”. Se os memes são as “neoparábolas” atuais, Jesus poderia ser considerado o primeiro criador de memes da História?

Em uma churrascada alguém anuncia aliviado que ainda há latas de cerveja na geladeira: “É o milagre da multiplicação das cervejas!”, jubila; um grupo discute e o seu líder reivindica: “precisamos separar o joio do trigo!”; “aqui tem lobo em pele de cordeiro!”, diz desconfiado o político na reunião de um partido. O que há em comum em todas essas falas? São alusões a milagres e parábolas de Jesus encontrados em diversos versículos do livro bíblico de Mateus.

Talvez o grande milagre de Jesus, além de fazer mortos ressuscitarem e multiplicar pães e peixes, tenha sido também o semiótico – conseguir transformar suas alegorias e parábolas em imagens persistentes e virais que atravessaram 2.000 anos e continuam com força de disseminação.


domingo, outubro 04, 2015

Curta da Semana: "Find The Truth 360 Degree" - A verdade é o ponto cego.

O Curta a Semana vai para uma experiência de imersão em 360 graus  numa perseguição a um mascarado nas estreitas ruelas de um distrito de Tóquio. O curta “Find The Truth 360 Degree” (2015) é um “teaser” de uma série da televisão japonesa chamada “Yokokuhan – The Pain”, que nos desafia a encontrar pistas em becos e encruzilhadas povoados por uma galeria de personagens bizarros. Mas nem tudo é o que parece e acabaremos descobrindo que “a verdade ama o ponto cego”.  

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