quinta-feira, agosto 04, 2016

Estranhas forças governam nossas vidas em "Harodim: Olhe Mais Perto"


Paul Finelli, roteirista que nunca teve uma obra adaptada por algum estúdio de Hollywood, escreve em 2010 outro roteiro, dessa vez sobre a morte do líder da Al-Qaeda Osama Bin Laden. Roteiro que tinha tudo para ser engavetado. Até que, um ano depois, Paul Finelli assistiu perplexo na TV as imagens da morte de Bin Landen por SEALs da Marinha dos EUA no Paquistão. A narrativa dos eventos era quase um espelho do seu roteiro. A realidade imitando a ficção foi o início da produção do filme “Harodim: Olhe Mais Perto” (2012), uma produção austríaca do Terra Mater, estúdio que afinal se interessou pelo roteiro de Finelli. O líder terrorista mais procurado do mundo é capturado e levado por um ex-especialista em black-ops da Inteligência dos EUA para um lugar desconhecido no metrô de Viena. Lá assistimos a uma hora e meia de interrogatório onde serão feitas aterrorizantes revelações sobre fatos da história recente desde os atentados do 11 de setembro nos EUA. E que há forças por trás da nossa vida ordinária que estão muito além do livre-arbítrio. Filme sugerido pelo nosso leitor Romeu.


Paul Finelli é um roteirista que passou vários anos trabalhando em Los Angeles. Apesar de várias sondagens, nenhum dos seus roteiros acabou adaptado por algum estúdio de Hollywood. O que o levou a se mudar para Pittsburg, Pennsylvania.

Lá, em 2011, Finelli experimentou um verdadeiro evento sincromístico: assistiu na TV a notícia da morte de Osama Bin Laden por forças americanas especiais no Paquistão. O que o abalou é que a notícia aproximou-se da narrativa de um roteiro escrito por ele em 2010 – era quase um espelho dos fatos relatos pela mídia. Para ele, o roteiro dos episódios traumáticos de 09/11 precisava de um fechamento emocional depois de uma década e, por isso, escreveu um roteiro sobre isso.

Para Finelli, a coisa mais assustadora foi ver no noticiário a ficção sendo materializada através da ação dos SEAL da Marinha naquela operação de busca de Bin Laden.

Antes disso Finelli tinha feito uma ponta no filme The Breath of Heaven (2010) do cineasta austríaco Reïhold Bilgieri. O que fez conhecer o produtor Thomas Feldkicher da Terra Mater Studios. Sob esse impacto sincromístico (a “coincidência” entre a realidade e a ficção), Fedkicher topou produzir o roteiro de Finelli de 2010 e rodar o filme Harodim (2012).


O filme Harodim poderia facilmente entrar na lista de mais uma teoria da conspiração sobre os eventos que cercaram os atentados de 2001 nos EUA. Porém, o que torna o filme atual e obrigatório são as denúncias do ano passado feitas pelo jornalista ganhado do Prêmio Pulitzer Seymour Hersh de que a morte de Bin Laden não foi alvo de uma operação arriscada e secreta, mas de uma execução fria com a colaboração entre EUA e Paquistão, país onde o terrorista estava escondido há cinco anos – sobre isso clique aqui.

O que se aproxima da narrativa de Harodim: Bin Laden teria sido útil no “trabalho Interno” de 09/11 para reconfigurar a política internacional pós-Guerra Fria – a implementação em escala global da ameaça do “terrorismo internacional” com o fim do bicho-papão da URSS e do Comunismo. Sadam Hussein teria sido um ensaio dessa nova estratégia durante a Guerra do Golfo, em 1991. Quando Al-Qaeda e Bin Laden deixaram de ser úteis, foram friamente eliminados. Hoje temos a ameaça do ISIS.

O Filme


Para evitar que Harodim terminasse como mais uma obra na lista das teorias da conspiração, Finelli evitou seguir a linha documental com uso exclusivo de notícias e imagens de arquivos. Para a ideia do filme funcionar, a narrativa deveria ser convincente de outra maneira. Em uma linha que apagasse a fronteira entre realidade e ficção e acusar a mídia utilizando o seu próprio material jornalístico.

Por isso, Finelli preferiu a linguagem live action, uma forma mais humana e ao mesmo tempo metafórica. A narrativa se desenrola como fosse uma peça de teatro, confinado em um local (uma sala no subterrâneo do metrô de Viena), onde os personagens interagem criando uma sensação de intimidade. Mas, ao mesmo tempo, mediado por imagens documentais e midiáticas da história recente.

Lazarus Fell (Travis Fimmel) é um ex-SEAL da Marinha, um expert em operações secretas (black-ops) e que busca vingar o seu pai, Salomon Fell (Peter Fonda) que pertencia a Inteligência militar dos EUA, presumivelmente morto no atentado ao WTC em 2001.


Lazarus abandonou a Marinha, filhos e esposa, simulando sua própria morte, para dedicar a sua vida na busca do líder da Al-Qaeda que planejou os atentados: o Terrorista (Michael Dessant) – a narrativa sugere implicitamente que o Terrorista seria o próprio Osama Bin Laden, após submeter-se a uma cirurgia plástica, tornando-se irreconhecível para os seus propósitos de fuga.

Após mais de dez anos de busca, Lazarus consegue capturar o Terrorista para leva-lo a um quarto subterrâneo em algum lugar no metrô de Viena. Lá o interrogará para descobrir toda a verdade, gravar um vídeo desse interrogatório enquanto torce para que seu prisioneiro fuja para ter o pretexto de matá-lo.
Mas se a agenda de Lazarus é a vingança, para o Terrorista é tentar convencer ao seu algoz que ele nada mais foi do que um peão sem vontade nas mãos de sociedades secretas cujo poder emanaria da política e do mundo das finanças internacionais, responsáveis  por eventos desde o incêndio no Reichstag de 1933 (que levou Hitler ao poder) passando pela Guerra Fria, Al-Qaeda e aquecimento global.

Para o Terrorista o tempo está esgotando: se a sua morte não for pelas mão de Lazarus, será pelas mãos dessa elite que constrói a Nova Ordem Mundial. Por isso o espectador assiste a uma hora e meia de diálogos intimistas, argumentações, exercício de lógica e retórica onde Lazarus perplexo ouve as revelações e as comprova ao hackear arquivos da Inteligência norte-americana em seu laptop.


A jornada pela busca da Verdade


O que torna a narrativa do filme interessante é que a jornada em busca da verdade de Lazarus é também a viagem do próprio espectador. Ele representa uma espécie de pureza e inocência (bom filho e obediente que busca vigar a morte presumida do pai e revelar a verdade ao mundo através da sua gravação) diante da terríveis revelações de uma elite onde os fins justificam os meios.

A queda das torres gêmeas sacrificando milhares de almas, guerras bélicas e biológicas com o propósito de eliminar 80% da população mundial para proteger o planeta da explosão populacional (para a elite, a verdadeira causa do aquecimento global e da crise energética é a explosão populacional) etc. , demonstram que os maiores males da História foram perpetrados por homens que viram um suposto bem maior. E que por trás de cada ação para realizar esse bem, estava a violência, o hediondo e o cruel.

Como próprio diretor afirma, ele não é um teórico da conspiração. Embora o título do filme, “Harodim” seja um termo maçônico que designava os supervisores e superintendentes dos trabalhos durante a construção do Templo de Salomão, ou seja, os Oficiais Superiores de uma loja maçônica.

O seu propósito com o filme é fazer o espectador rever esse modus operandi presente em toda História humana: os maiores crimes são sempre praticados em nome de ideais nobres. Aliás, ideais que sempre foram meros pretextos para um objetivo muito maior do que dominar corações e mentes: para as pesquisas em Parapolítica, dominar as almas com a aproximação do mundo etérico (o "Umbral") com o mundo terrestre através da qual falanges do mundo espiritual disporiam mais energias para-psíquicas para submeter o astral da humanidade - sobre isso clique aqui.   

Além disso, o filme pretende fazer o espectador pensar o quão simplista e conveniente é a visão da História passada pelos meios de comunicação.


Osama Bin Laden: ficção e realidade


Daí a ideia de tornar o personagem  ambíguo: a sua trajetória narrada no filme (de uma família rica saudita, educado em universidades ocidentais e com negócios no setor petrolífero e de armamentos com famílias de magnatas norte-americanos) é parecida com a suposta vida de Osama Bin Laden.  Aliás, segundo o próprio diretor, em suas pesquisas nada encontrou de real em Bin Laden. Não havia nenhuma indicação de qualquer ser humano real por trás de qualidades quase supra-humanas, sejam de habilidades ou de crueldade.

Por isso, Paul Finelli propõe um interessante jogo para o espectador: a partir de um personagem ficcional convertido em monstro mitológico pela mídia, encontrar nele alguma humanidade paradoxalmente em um personagem de uma obra , a princípio, de ficção.

Dessa maneira, Harodim transita o tempo inteiro entre os gêneros Thriller e Documentário. O filme cruza totalmente a classificação por gêneros: parte do evento real de 11 de setembro de 2001, entrelaçando com a vida de três personagens fictícios permeado com imagens de arquivo de telejornais e documentários.

Harodim é mais uma obra que é o sintoma de uma sociedade que desconfia de si mesma. Um filme que pode ser facilmente estereotipado como “teoria da conspiração” da linha de produções como Zeitgeist, JFK de Oliver Stone ou Anjos e Demônios.

Mas se toda ideologia teve o seu momento de verdade, as teorias da conspiração não podem ser simplesmente descartadas como mentira ou delírio. No mínimo, é o sintoma de uma íntima desconfiança gnóstica de que a vida cotidiana é governada por forças que vão além do nosso livre-arbítrio.


Ficha Técnica


Título: Harodim: Olhe Mais Perto
Diretor: Paul Finelli
Roteiro:  Paul Finelli
Elenco:  Peter Fonda, Michael Dessante, Travis Fimmel
Produção: Terra Mater Factual Studios
Distribuição: Terra Mater Factual Studios
Ano: 2012
País: Austria

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