terça-feira, abril 25, 2017

A ética e moral da viagem no tempo e o Efeito Mandela na série "12 Monkeys"


Produzida pelo canal Syfy, a série “12 Monkeys” (2015-) procura expandir a narrativa do filme clássico de Terry Gilliam “Os 12 Macacos” (1995): a humanidade foi devastada por um apocalipse viral, a Terra ficou fria e em ruínas sob o domínio de gangues saqueadoras. Enquanto isso, em instalações secretas, cientistas tentam encontrar uma forma de conter as mutações do vírus. Um grupo constrói uma máquina do tempo para enviar crono-astronautas para o passado e impedir o vírus, antes das mutações. Isso significaria reescrever toda a linha do tempo até o futuro. A série propõe uma geografia do Tempo bem diferente das produções contemporâneas sobre o tema: ao invés de mundos quânticos alternativos paralelos, uma única linha do tempo que poderia ser reescrita diversas vezes. Além da série parecer se inspirar no famoso “hoax” Efeito Mandela, propõe um novo viés sobre a viagem no tempo – as possíveis implicações éticas e morais: a superação do paradoxo, alterando o passado, poderia nos empurrar para uma perigosa amoralidade.

sábado, abril 22, 2017

Deus joga dados em não-acontecimento da Champ Élysées


Nas imagens da CNN estranhamente a câmera parece dar a deixa para as ações na Champs Élysées: quando veem a câmera bombeiros e paramédicos começam a correr não se sabe para onde, enquanto cruza a cena policiais antimotim com escudos, capacetes fortemente armados em fila – para onde estão indo se a área foi isolada e o atirador já  está morto? Inúmeras anomalias marcaram mais um não-acontecimento às vésperas das eleições presidenciais na França. E como sempre (Londres, Berlim, Nice, Bataclan, Charlie Hebdo etc.) mais recorrências e sincronismos. Enquanto a Ciência tenta compreender a realidade a partir de fenômenos recorrentes e eventos sincrônicos, o Jornalismo ainda crê em acidentes, no acaso e nas fatalidades. Para a grande mídia, fora desse mundo no qual Deus parece jogar dados com os acontecimentos, estão à espera os paranoicos teóricos da conspiração. Mas dessa vez a “coincidência” entre os tiros no boulevard mais famoso do mundo e o debate eleitoral num estúdio de TV foi além da conta...

quarta-feira, abril 19, 2017

"Uberização" da educação: saem pedagogos e Construtivismo, entram gestores e neurociências


O País está hipnotizado pelo show diário de meganhagem midiática de colarinhos brancos sendo levados presos por cinematográficos policiais federais com suas reluzentes botas e armas negras. Porém, a passos lentos mas seguros, no subterrâneo desse espetáculo de moralização nacional está ocorrendo uma revolução silenciosa que vai determinar o futuro das próximas gerações: reformas educacionais que estão impondo uma agenda secreta, a gestão de um novo projeto de nação. Sai o Neodesenvolvimentismo lulopetista para entrar o Capitalismo Cognitivo. No campo educacional, sai o Construtivismo de Piaget para entrar as neurociências aplicadas à educação, turbinada por ONGs e institutos privadas do indefectível mundo financeiro. Saem pedagogos, entram engenheiros e gestores. No lugar de valores como autonomia e conhecimento entram “disparos neuronais” e “sinapses” para formar futuros profissionais que não mais lidarão com conhecimentos, mas com “efeitos do conhecimento” das plataformas tecnológicas - a "uberização" da educação.

segunda-feira, abril 17, 2017

Propaganda e a demonização do inimigo, por Marcelo Gusmão



O filme “1984” foi exibido esse ano em 165 cidades nos EUA como forma de protesto contra o presidente Donald Trump. Ele demoniza imigrantes e a oposição também o demoniza, definindo-o como o “novo Big Brother”. Enquanto isso o Brasil está um caos, dividido, semelhante a final de um campeonato: de um lado do campo os “Coxinhas”, no outro lado os “Mortadelas”. Há quem prefira dizer “esquerda” contra “direita”, ou ainda “amarelos” (canarinhos) contra os “vermelhos”. Essa divisão não é novidade - desde que o mundo é mundo há violência e luta pelo poder. “Nós contra Eles” sempre foi um princípio de identidade entre os “Iguais” das diversas irmandades, seja times de futebol, equipes em gincanas escolares, entre bairros, cidades, países, partidos políticos e, é claro, ideologias. Demonização e a divisão do inimigo são grandes princípios de propaganda e persuasão. Como lidar com essa dualidade?  Qual a sua origem? Há como anular sua força?

domingo, abril 16, 2017

Curta da Semana: "El Empleo" - o emprego que te espera no futuro


Com mais de 100 prêmios na sua trajetória em festivais, o curta de animação argentino “El Empleo” (2008) é uma produção bem oportuna para os tempos atuais em que vivemos onde o melhor remédio prescrito para a crise econômica e o desemprego são eufemismos como “terceirização”, “empreendedorismo” etc. O curta é o paroxismo da situação atual: para gerar emprego uma sociedade parece consumir a si mesma -  pessoas começam a assumir a função de objetos cotidianos em “inovadoras” formas de “prestação de serviço”: a mulher-cabide, o homem-abajur e assim por diante. Um curta surreal e tragicômico, mas que dá muito no que pensar. Curta sugerido pelo nosso leitor A.Lex.

sábado, abril 15, 2017

Niilismo e o desejo da morte na Modernidade em a "A Marca do Assassino", por Bárbara Ribeiro


Um filme tão excêntrico que mereceu a expulsão do diretor da produtora japonesa Nikkatsu. Um filme estranho até para uma produtora especializada em filmes “B”. É o filme “A Marca do Assassino” (1967) do diretor Seijun Suzuki (falecido nesse ano), um diretor tão radical que inspirou na atualidade diretores como Jim Jarmuch (pela forma como utiliza a trilha musical) e Tarantino no filme “Kill Bill 1”. Além das muitas referencias ao filme Noir, a narrativa de “A Marca do Assassino” é dominada por personagens que vivem para morrer, na qual sexo e morte são abordados de forma niilista e non sense em um Japão dos anos 1960 já ocidentalizado. É o que nos conta a nova colaboradora do “Cinegnose” Bárbara Ribeiro*.

sexta-feira, abril 14, 2017

"Nocturama": explodam estátuas e palácios, mas deixem os shopping centers!


O cenário é a crise econômica e desemprego na França pós crise do Euro de 2008. Um grupo de jovens de diversas origens étnicas caminha pelas ruas de Paris. Silenciosos trocam olhares, pegam pacotes em cestos de lixo e descartam telefones celulares após utilizarem. Aparentemente cansados da sociedade, planejam um ousado atentado: explosões simultâneas na cidade, mandando pelos ares símbolos do poder financeiro e político. “Nocturama” (2016), do francês Bertrand Bonello, mostra como a própria energia utópica e contestadora naturais da juventude, hipnotizada pela rebeldia da cultura de consumo, é cooptada por uma irônica “rebeldia conformista”. Desafie a sociedade explodindo palácios, estátuas e torres do poder financeiro. Mas mantenha intacto os shopping centers. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

terça-feira, abril 11, 2017

Lapso de Trump previu ou antecipou agenda do atentado na Suécia?


Em fevereiro, Donald Trump citou um atentado inexistente na Suécia, para justificar suas medidas anti-imigratórias. A grande mídia tratou o episódio como “gafe” de um presidente “desequilibrado”. Dois meses depois ele jogou dezenas de mísseis na Síria e em seguida um atentado ocorreu em Estocolmo, Suécia. Coincidência? Ato falho de um presidente que sem querer antecipou a agenda? Ou mais sincronismos como ocorreu antes e durante “não-acontecimentos” como os de Nice, Berlim e Londres? Mais sincronismos ocorreram horas antes dos ataques à Síria, à bordo do avião presidencial, dessa vez envolvendo Trump e o filme “Star Wars Rogue One”. O fato é que agora tudo mudou: a grande mídia trata o presidente dos EUA como estadista e até humanitário. Como sempre, esses atos falhos e sincrônicos levantam a suspeita da existência de um script pré-estabelecido. São verdadeiros “espasmos da realidade” pelos quais passamos despercebidos.

domingo, abril 09, 2017

Curta da Semana: "At The End of The Cul-de-Sac" - o prazer voyeurista com um drone


Depois de filmar curtas com Iphone e snorriCam, o diretor Paul Trillo aceitou o desafio de fazer um curta com um único plano sequência (sem cortes) com imagens captadas por um drone. É o curta “At The End of Cul-De-Sac” (2016). A câmera fixa em um drone paira, desliza e gira em torno dos atores que nos mostram um protagonista invadindo um condomínio fechado para bater na porta de uma residência. Ele está transtornado e à beira de um colapso nervoso. Os moradores observam à distância, tentam entender o que acontece. Mas assim como nós espectadores vendo tudo através da onisciência do drone, os moradores parecem ter um prazer voyeurista em observar a cena e registrar tudo através de smartphones. Apesar do experimentalismo tecnológico, o curta aborda uma tradicional representação do cinema: os condomínios fechados suburbanos mostrados como enclaves de intolerância e preconceito.

sábado, abril 08, 2017

A incomunicabilidade produz a Religião e a Política em "A Vida de Brian"


A Vida de Brian” (1979) do grupo inglês de humor Monty Python é um filme que não só se tornou atemporal como, depois de 38 anos, ganhou novas leituras. Paradoxalmente, com a expansão das novas tecnologias de comunicação como Internet e redes sociais. Por que? Porque o filme explora a incomunicabilidade humana: Religião e a Política como subprodutos da mentira, ilusão e ideologias que sempre tentam justificar algum mal entendido resultante da radical incomunicabilidade da espécie: o fato de que cada um vê o que quer ver e ouve o que quer ouvir. Brian é confundido com o Messias e passa a ser perseguido não só pelos romanos como também por uma multidão de seguidores que veem nele apenas aquilo querem ver. Pedem de Brian um “sinal” da sua suposta divindade. Não importa o quanto Brian se esforce para tentar desfazer o mal entendido. Involuntariamente criou uma nova religião. E o que é pior: a multidão está ávida por um mártir que morra por ela na cruz...

quinta-feira, abril 06, 2017

Com o caso José Mayer tautismo da Globo fica na corda bamba


O caso do assédio do ator José Mayer à figurinista Susllem Tonani é marcado por uma ironia fundamental: um ator, conhecido por interpretar nas telenovelas sempre o mesmo perfil de personagens machistas e misóginos, é denunciado por recorrentes assédios nos bastidores da Globo. Mera coincidência ou sincronismo entre ficção e realidade? Desde que o chamado “O Método” (criado pela Actors Studio em 1947) se perverteu em fórmula criadora de um tipo de ator que se limita a interpretar a si mesmo em repetitivos perfis de personagens estimulados pela linha de montagem de TV e estúdios de cinema, casos como esses se tornaram recorrentes. No caso da Globo, marcado por um tautismo (tautologia + autismo) crônico, essa “doença ocupacional” fica ainda mais evidente. Principalmente quando a reação tanto do ator quanto da cúpula da emissora foi idêntica: alheios às mudanças que ocorrem no “deserto do real” (empoderamento feminino, lutas por respeito, diversidade etc.) são pegos de surpresa e tentam dar respostas oportunistas. E a da Globo é a mais equizofrênica: diz respeitar as mulheres enquanto diariamente as submete a papéis subalternos em reality shows, telenovelas e propagandas de cerveja.  

terça-feira, abril 04, 2017

"Guerra Total" na crise política com os filmes "Polícia Federal" e "Real"


Espera-se para esse ano o lançamento de dois filmes nacionais que aproveitam a atmosfera da atual crise política. O thriller judiciário “Polícia Federal: A Lei é Para Todos” e um “thriller econômico” - “Real: O Plano por Trás da História”, sobre o Plano Real e a derrota da hiperinflação. “Esculhambação da Polícia Federal e do Judiciário” (pelo fato da PF ter cedido equipamentos, gravações de vídeos e informações sigilosas para uma produção privada sobre uma investigação ainda em andamento) e “propaganda tucana” foram algumas reações das esquerdas. Qual é a surpresa? Como em toda a História, os conquistadores chegam ao poder determinados a exterminar os vencidos. Desde o nazi-fascismo esse extermínio tornou-se simbólico por meio da “Guerra Total”: a conquista de corações e mentes através do cinema e audiovisual. Assim como o Governo dos EUA fornece armas, aviões e soldados reais para as produções patrióticas hollywoodianas, a PF transforma sua sede de Curitiba em “laboratório de interpretação” para os atores. Dentro do espectro político, quanto mais nos dirigimos à direita vemos uma aplicação mais eficiente das armas da comunicação. Como demonstrou Donald Trump na semana passada em suas incursões pela Internet e redes sociais nas madrugadas.

domingo, abril 02, 2017

"The Discovery": devemos saber o que existe depois da morte?


Em um futuro próximo, finalmente a Ciência conseguiu a prova definitiva da existência após a morte. Porém, o resultado foi catastrófico: uma onda de suicídios varre o planeta com pessoas angustiadas em busca da terra prometida no outro lado. A produção Netflix "The Discovery” (2017) é um filme que aborda o recorrente tema cinematográfico da “segunda chance”: motivados por culpa e arrependimento por decisões erradas na vida, buscamos sempre a segunda chance, seja através da viagem no tempo, em um novo planeta Terra ou por meio de alguma experiência espiritual. Porém, “The Discovery” inova a abordagem do tema ao mostrar protagonistas que buscam a segunda chance dessa vez na possibilidade da vida pós-morte. A chance de um recomeço ou, pelo menos, a oportunidade de corrigir decisões erradas. Mas a mesma máquina que deu a prova científica da imortalidade da alma, pode revelar algo maior e inesperado.

sábado, abril 01, 2017

O projeto "Lance Limpo" da Globo e os "idiotas da objetividade" no futebol


A doença crônica do tautismo (tautologia + autismo), em processo de metástase na TV Globo, assume formas cada vez mais imprevisíveis na emissora. Agora contamina seus jornalistas que começam a levar a sério a própria visão de mundo de uma TV fechada em si mesma. O apresentador do Globo Esporte, Ivan Moré, “teve uma ideia” que prontamente recebeu as bênçãos do indefectível Galvão Bueno em seu programa “Bem, Amigos!”: o projeto “Lance Limpo” no qual serão apresentados “exemplos de nobreza e honestidade” – jogadores que confessam que cavaram pênaltis, por exemplo, fazendo árbitros corrigirem seus próprios erros. Para Moré e Bueno, na situação atual de “corrupção, desonestidade e ladroagem que dominam o País”, o esporte deve dar bons exemplos para ajudar a resolver o “problema sério de formação do cidadão”. Uma espécie de “Pan-Lava Jato” histérico que agora vê em qualquer coisa a necessidade de receber o raio moralizador. Mas pode matar o maior produto global: o futebol – assim como Nelson Rodrigues alertava que os “idiotas da objetividade” queriam destruir o futebol pelo complexo de vira-latas, da mesma forma a  moralização (que não consegue moralizar a si mesma) quer limpar a natureza imaginária de todo jogo: o drama e o lúdico. Mas há também uma agenda secreta por trás do tautista projeto: o anarcocapitalismo no esporte.

sexta-feira, março 31, 2017

Por que ninguém pode ficar sem TV digital? A "Família Dinossauros" sabia porque


Na época que a série “Família Dinossauros” (1991-1994) ia ao ar no início dos anos 1990 não existia a TV digital. Mas um episódio da série em 1993 explicava o porquê do atual esforço concentrado e inédito envolvendo Governo, emissoras, Federação de indústrias e ONGs para evitar que massas de telespectadores ficassem sem televisão com o desligamento do sinal analógico na Grande São Paulo. Praça responsável por 70% do faturamento das emissoras, apenas as possíveis consequências financeiras da perda de telespectadores não explicam esse esforço que até envolveu a entrega de Kits de TV digital gratuitos através do “assistencialista” e “populista” Bolsa Família. O humor ácido da “Família Dinossauros” dizia que jamais em uma crise econômica o Governo permitiria que cobradores tirassem a TV de pessoas endividadas: o sistema que as endivida precisa que a TV mantenha os endividados distraídos e confiantes. Conhecemos bem a função da TV em momentos de conflagração política (censura e manipulação das notícias) mas prestamos pouca atenção à sua função cotidiana e silenciosa: fazer as pessoas acreditarem que a força de vontade, o mérito e o trabalho são moralmente bons e que vale à pena acordar toda manhã confiantes e cheios de esperanças.

quarta-feira, março 29, 2017

O Coringa retorna com mais "efeitos copycat"



O palhaço do crime está de volta. Só nesse mês de março, dois episódios em países diferentes tiveram o Coringa como elemento motivador em situações violentas: um adolescente abriu fogo em uma escola na França após posar armado e mascarado como o Coringa em fotos no Facebook; e um homem carregando uma espada e maquiado e fantasiado como o vilão do Batman foi preso pela polícia caminhando ameaçadoramente pelas ruas em uma cidade na Virginia, EUA. São mais casos de uma extensa lista daquilo que os psicólogos chamam de “Efeito Copycat” (efeito de imitação) iniciado com o filme "Batman: O Cavaleiro das Trevas" (2008) e a controversa morte de Heath Ledger que interpretava o Coringa. Uma extensa lista cujo caso mais famoso foi o Massacre de Aurora (2012) no qual o atirador dizia ser “o verdadeiro Coringa”. Pesquisadores em Sincromisticismo acreditam que o Coringa é um arquétipo vivo, uma forma-pensamento. Se no passado, esses arquétipos eram dissipados em rituais sagrados, hoje tornam-se narrativas midiáticas repetitivas cuja energia psíquica procura receptores vulneráveis para serem “descarregadas” em ações catastróficas e imprevisíveis.   

terça-feira, março 28, 2017

Ocultismo midiático e a psicanálise em Justin Bieber, por Marcelo Gusmão


O grande dia para muitos jovens e adolescentes fãs da cultura pop está chegando. Dia 29 de março acontece no Rio de Janeiro o show tão esperado do cantor canadense de 23 anos e fenômeno midiático, Justin Bieber. Para muitos este momento é esperado com ansiedade desde fevereiro de 2016. Criticados por muitos e admirados por outros estes fãs se revezaram em um acampamento no local do show para garantir os melhores lugares. Mas afinal o que explica tamanha dedicação? Expressão incômoda de amor, ou pura alienação moldada por uma indústria midiática mestre no controle mental manipulando anseios e desejos de toda uma geração?  Apenas as técnicas de publicidade e relações públicas não explicam o sucesso de Justin Bieber, assim como de tantos ídolos pop. Haveria um lado obscuro composto pelo psiquismo coletivo e o "ocultismo midiático" - a introdução de antigos e milenares símbolos de tradições esotéricas oriundas das escolas de mistérios.

domingo, março 26, 2017

Curta da Semana: "The Internet Warriors" - o lado oculto dos "haters"


Haters”, “trolls”, “comandantes do caps lock”. Eles são os “guerreiros da Internet”. Depois de uma pesquisa de quatro anos entrevistando-os por todo o mundo, o cineasta e fotografo norueguês Kyrre Lien produziu uma série de documentários curta-metragem chamada “The Internet Warriors”(2017). Lien ouviu usuários que dedicam a maior parte do seu tempo para ficar diante da tela do computador, “opinando” sobre qualquer coisa através de um discurso polarizado, agressivo, intolerante, racista e preconceituoso. O documentário quer entender como pessoas comuns, pessoalmente agradáveis e educadas com seus filhos e esposas, são capazes de ocupar redes sociais e fóruns de discussão com um discurso tão carregado de ódio.

sábado, março 25, 2017

A celebração da loucura e destruição na viagem do tempo em "Os 12 Macacos"


Uma ambiciosa releitura do clássico francês “La Jetée”(1962), o filme que mudou a perspectiva da viagem no tempo no cinema. Em “Os 12 Macacos” (1995) Terry Gilliam explora o tema do protagonista prisioneiro em um loop temporal, tema dominante naquela década como em “Feitiço do Tempo” ou “12:01”. A humanidade foi devastada por uma praga viral, os animais dominaram o planeta e os sobreviventes vivem em subterrâneos. A esperança é voltar para o passado e trazer uma amostra do vírus antes da sua mutação para que a humanidade retorne à superfície. Em busca de perdão, um presidiário chamado James Cole é enviado ao passado para a difícil missão. Paranoico e perseguido como um louco esquizofrênico, a partir de um estranho sonho recorrente, Cole descobrirá que sua vida rebobina e avança rapidamente numa espécie de fita do tempo, como em um filme antigo. 

sexta-feira, março 24, 2017

Uma ponte para a gnose no filme "Os Famosos e os Duendes da Morte"


"Os Famosos e os Duendes da Morte" (2009) é uma das raras incursões da produção do cinema nacional no imaginário arquetípico gnóstico. A narrativa é um exemplo de como, através do cinema, a subjetividade contemporânea é representada por meio de personagens gnóstico. No filme, caracterização do protagonista como o "Viajante" -  aquele que através do silêncio, melancolia e introversão busca um particular estado alterado de consciência: a "suspensão": a busca de uma ponte (no filme, ao mesmo tempo simbólica e literal) entre esse mundo e a iluminação espiritual.

quinta-feira, março 23, 2017

Ataque em Londres: mais um atentado que não aconteceu


Mais um atentado, desta vez em Londres com atropelamento em série de civis e invasão dos jardins do Parlamento Britânico por um homem armado com duas facas. O local é ao mesmo tempo icônico e sincrônico: escolhido pelos roteiristas para as cenas mais espetaculares do filme “V de Vingança”, cuja famosa máscara foi inspirada em Guy Fawkes, líder da “Conspiração da Pólvora” no século XVII – considerada a primeira “False Flag” da História, que pretendia mandar pelos ares o rei junto com o Parlamento como parte de uma propaganda de guerra. Novamente o ataque revela as mesmas recorrências e anomalias dos atentados desde o ataque ao WTC em 2001: a execução final do vilão, o “lobo solitário”, as conclusões rápidas da mídia e da polícia e a “coincidência” de 72 horas antes do ataque exercícios antiterror foram realizados no rio Tâmisa, com lanchas rápidas, resgatando hipotéticas vítimas civis. Assim como aconteceu no atentado “real”. Mais uma vez, o atentado “não aconteceu”: foi uma forma de meta-terrorismo para irradiação midiática.

terça-feira, março 21, 2017

Filme "Nuit Noire": sonhamos os sonhos ou os sonhos é que sonham conosco?


Oscar é um entomologista solitário que trabalha no museu de história natural e em casa cria insetos em estufas numa monótona rotina. Ele vive num mundo que parece ser um purgatório noturno: há um eterno eclipse solar que só deixa o Sol aparecer por quinze segundos. Até que um dia volta para casa e encontra uma mulher negra, doente e grávida, na sua cama. Oscar usará a ciência da Entomologia para lidar com o problema inesperado. No filme belga “Nuit Noire” (2005) o diretor Olivier Smolders faz um mix do cinema surrealista de Buñuel e David Lynch com a paranoia de “A Metamorfose” de Kafka. O filme mostra como o cinema europeu lida com os temas da mente e do inconsciente de forma bem diferente das produções norte-americanas: não há mais a luta e vitória da Razão sobre a mente, mas como os sonhos e o inconsciente contaminam os diversos níveis da realidade. Será que sonhamos os sonhos ou os sonhos é que sonham conosco?

domingo, março 19, 2017

Curta da Semana: "Beleza Americana 2" - a vingança dos descartados


No filme "Beleza Americana"(1999) o diretor Sam Mendes via em um saco plástico que girava ao vento um momento no qual uma “força benevolente” mostrava o sublime por trás das coisas banais. Mas, e se essa força não for assim tão benevolente e se revoltar contra a humanidade que teima em banalizar as coisas através do descarte e obsolescência? O resultado pode ser uma sangrenta perseguição protagonizada por uma sacola plástica em busca de vingança. Esse é o curta “Beleza Americana 2” (2017) de Zak Stoltz, uma bizarra e surreal releitura da poética sequência do filme original. O curta se integra a uma tradição no cinema de objetos que ganham vida e parecem querer se vingar do homem: tomates, carros, bonecos, pneus, árvores de natal. E agora, sacos plásticos. Uma tendência que reflete o novo mal estar da civilização: de ver na descartabilidade dos objetos a expressão da própria obsolescência humana.

sábado, março 18, 2017

Teoria da Terra Plana renasce mais uma vez em tempos difíceis


A Terra é um disco plano e cercada por um muro de gelo que chamamos de Antártida. O Sol e a Lua são apenas discos luminosos que giram sobre o plano terrestre e os planetas não existem. São apenas estrelas firmadas em uma abóboda. E a NASA esconde tudo simulando viagens espaciais e fotos da curvatura terrestre. Acredite, essa teoria que cada vez mais ocupa espaço na Internet com textos e vídeos com um crescente número de seguidores. Mas teoria da Terra Plana não é nova na era moderna. É recorrente na História em momentos de crise política e econômica, como hoje. Por exemplo, teorias da Terra Oca e Plana foram adotadas pelo Nazismo para se opor à “ciência materialista” e injetar magia e misticismo na Política por meio de sociedades secretas como a Vril e Tule, antes da Segunda Guerra. A Ciência transforma-se em fundamentalismo religioso, expressão da polarização e intolerância política do momento. Mas os terraplanistas acertam em um ponto: toda cartografia é uma representação político-imaginária.

sexta-feira, março 17, 2017

Em "Rubber" um pneu quer se vingar da civilização



Surpresa em festivais de cinema fantástico pelo mundo, a comédia francesa de horror “Rubber” (2010) nos brinda com a bizarra estória de um pneu assassino com poderes telepáticos que rola pelas estradas e desertos em busca de vingança. Somente o olhar de um diretor francês para ter a ironia e o distanciamento necessários para criar uma alegoria sobre o centro espiritual da civilização americana: o automóvel e o deserto.

quinta-feira, março 16, 2017

"Radio Free Albemuth" politiza o Gnosticismo e vai além da ficção científica


Em um passado alternativo em 1985, Mark Chapman matou Mick Jagger ao invés de John Lennon e os EUA vivem sob o domínio de um Estado totalitário. Um grupo subversivo planeja incitar a revolução por meio de hits musicais com mensagens subliminares.  E o líder, produtor da gravadora, é inspirado por epifanias místicas enviadas pela VALIS (“Vasto Sistema Vivo de Inteligência Alienígena”) por meio de um satélite que secretamente orbita o planeta. Esse é o filme “Radio Free Albemuth” (2010), a melhor adaptação cinematográfica já feita de um livro do escritor gnóstico Philip K. Dick. Uma produção que conseguiu ir além dos cânones da ficção-científica (que sempre orientaram as adaptações hollywoodianas de K. Dick – robôs, aliens e planetas distantes), traduzindo para a tela as especulações filosóficas que sempre inspiraram o escritor: Gnosticismo, Cabala, Hermetismo e Budismo. Mas, principalmente, como K. Dick,  através da sua obra, conseguiu politizar o Gnosticismo através do tema da paranoia.

quarta-feira, março 15, 2017

O Marketing paranormal no filme "Branded"


Imagine um expert em Publicidade que enxergasse muito mais do que promoção, preço, produto e ponto de venda no Marketing. Um expert que descobrisse que a guerra das marcas pelo mercado e pela mente dos consumidores não é meramente retórica através de símbolos, imagens e estímulos visuais – é uma gigantesca batalha travada por monstros gelatinosos em forma de balões em um invisível plano astral da humanidade. O Marketing Paranormal! Esse é apenas um dos temas levantados pelo filme “Branded” (2012), co-produção Rússia/EUA que mistura temas teosóficos com a provocativa tese de que Lênin teria inventado o Marketing em 1918: o Comunismo teria sido o produto e a KGB a “polícia da marca”.

terça-feira, março 14, 2017

Tautismo da Globo vê na virada do Barça lição motivacional para brasileiros


O final de domingo é um momento reconhecidamente depressivo para os telespectadores que repentinamente voltam a lembrar da segunda-feira. Nesse momento, a TV ataca com vídeos de pets engraçados e acidentes domésticos, ou, como no caso da Globo, também vídeos “motivacionais”. Como na introdução do “Fantástico” desse domingo na qual a virada histórica do time do Barcelona na “Champions League” serviu de mote para reunir várias outras histórias para provar que “o impossível acontece” e que “jamais podemos desistir” como fossem lições de moral para todos enfrentarem o baixo astral da vida e do próprio País. Ao sugerir que histórias sobre atletas e profissionais de alto nível poderiam ser fontes de inspiração moral e motivacional para os telespectadores comuns, revela a natureza da linguagem televisiva: o discurso metonímico ou “lateral” que vem se tornando crônico com o crescimento da doença do “tautismo” (autismo + tautologia) na grande mídia. A consequência é a “motivação” através do esquecimento e despolitização do telespectador, além da introjeção da culpa pelas mazelas do cotidiano.

sábado, março 11, 2017

A fronteira final: neoliberalismo vai ao espaço com Elon Musk


“O Espaço, a fronteira final...”. Os leitores devem conhecer a introdução dos episódios da série Jornada nas Estrelas. Mas dessa vez, não teremos o Capitão Kirk ou o Sr. Spock. Mas o jovem empresário Elon Musk que promete com a empresa SpaceX levar turistas para dar volta na Lua e colonos para Marte e além. Cientistas e operadores de Wall Street o qualificam como alguma coisa entre “fraude” e “máquina de queimar dinheiro”, embolsando verbas públicas enquanto faz intrincadas manobras societárias com suas empresas como a Tesla Motors e a SolarCity. Em muitos aspectos lembra a trajetória do ex-oitavo homem mais rico do planeta, Eike Batista. Mas a retórica de Musk enche os olhos da grande mídia: é o “Tony Stark da vida real”, pronto para provar como os velhos valores do capitalismo (competição e mercado) podem ser combinados com economia sustentável e “tecnologias limpas” do século XXI. Ele promete levar o neoliberalismo à última fronteira. Mais do que ninguém, Elon Musk sabe como são voláteis as fronteiras entre a especulação do mundo das finanças e da mídia.

quinta-feira, março 09, 2017

O suicídio ao vivo de uma estrangeira em "Christine"


Em 15 de julho de 1974, ao vivo, no Canal 40 de Sarasota, Flórida, a jornalista investigativa Christine Chubbuck leu uma breve nota. Sacou um revólver, colocou atrás da orelha e puxou o gatilho. O filme "Christine" (2016) busca o porquê esse histórico suicídio diante das câmeras procurando fugir dos tradicionais clichês: depressão, solidão, frustração profissional diante das pressões do sensacionalismo televisivo, machismo e misoginia que dominavam as redações nos anos 1970 etc. “Christine” se desvia dessas armadilhas narrativas ao privilegiar uma abordagem mais existencial e gnóstica: há uma constante e insuperável sensação de deslocamento e alienação de uma personagem que não encontra lugar nesse mundo, muito além de ideologias, profissão e vida pessoal. Christine sempre foi uma Estrangeira mesmo nos ambientes mais familiares porque sempre pressentiu que estava em um jogo cujo propósito ela nunca entendeu. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

terça-feira, março 07, 2017

Curta da Semana: "Night Mayor" - Aurora Boreal, Nikola Tesla e a energia livre


Quando pensamos em Modernidade o que lembramos? Tecnologia, velocidade, capitalismo, urbanidade, eletricidade, o cinema. Um verdadeiro turbilhão para onde somos transportados quando assistimos ao curta “Night Mayor” (2008) do canadense Guy Maddin. Misturando o atual estilo do falso documentário (mockumentary) com a linguagem e fotografia do cinema mudo, Maddin nos conta a história de um inventor bósnio que em 1939 descobriu no Canadá que a Aurora Boreal é na verdade constituída por melodias e imagens. E que poderiam ser transmitidas livremente pelas linhas telefônicas através do “Telemelodium”. Mas o governo não vai gostar muito dessa invenção... O curta é uma pequena obra-prima claramente inspirado no inventor croata Nikola Tesla que pagou com a própria vida uma descoberta feita em 1899 que poderia colocar em risco o Capitalismo: a energia livre.

segunda-feira, março 06, 2017

O Barão de Munchausen, reforma da Previdência e a lógica do refém


O material de propaganda do PMDB cujo slogan é “Se Reforma da previdência não sair, tchau Bolsa Família, adeus Fies, sem novas estradas, acabam programas sociais”, mais do que desespero de um governo que corre contra o relógio (Lava Jato e Eleições 2018) revela a natureza do Estado contemporâneo: o terrorismo e a lógica do refém. Se antes o terrorismo era restrito a territórios como aeroportos e embaixadas, agora tornou-se prática de governo: todos nós somos reféns sob a estratégia da chantagem dos rombos e dívidas que se transforma na nova função do Estado. Lógica que se sustenta em um mito, assim como aquele que o Barão de Munchausen, no filme clássico de Terry Gilliam de 1988, destruiu: não existem exércitos turcos por trás dos muros que mantém a cidade submissa pelo medo e a ignorância.

sábado, março 04, 2017

"Terminus": o sci-fi que anteviu Era Trump


O EUA empreendem o Projeto Terminus de ocupação permanente do Irã por tropas americanas. O que só faz aumentar a tesão diplomática com Rússia e China, disparando a contagem regressiva para uma guerra nuclear. Enquanto isso um estranho meteorito cai em uma cidadezinha no interior dos EUA, onde vivem desempregados e veteranos da guerra no Irã, amputados e paralíticos, que lutam para sobreviver em meio a depressão econômica. Este é o sci-fi australiano “Terminus” (2015) sobre um futuro próximo que poderia muito bem ser o presente. Um filme que representa mais um sintoma do crescente sentimento anti-Globalização – a percepção de que enquanto sofremos no dia-a-dia para conseguir tocar as nossas vidas, lá em cima os poderosos tramam a nossa própria destruição em seus jogos de guerras e das altas finanças. Em 2015, “Terminus” antecipou o mal-estar que criaria muitos subprodutos, assim como a atual Era Trump.

quinta-feira, março 02, 2017

O homem se tornará irrelevante diante de algoritmos e aplicativos?


Em uma entrevista para a "Wired Magazine", o historiador e escritor Yuval Harari alertou para o perigo da humanidade em pouco tempo se tornar “irrelevante” e “redundante” diante dos avanços da Inteligência Artificial. Dessa vez, não mais através das distopias como a do computador HAL 9000 que tenta matar a tripulação de uma nave no filme “2001” ou por replicantes que perseguem um policial no filme “Blade Runner”. Mas agora por meio dos aplicativos e algoritmos que “compreendem melhor nossos desejos e sentimentos do que nós mesmos”. Porém, o discurso de Harari atira no que vê e acerta no que não vê – só podemos achar que os algoritmos são realmente inteligentes se o próprio homem rebaixar ou tornar mais flexível o conceito de “inteligência”. A fala de Harari faz parte de uma nova narrativa publicitária das corporações tecnológicas: projetar para o futuro distopias que sempre fascinaram a humanidade por toda a História: ver a si própria substituída por duplos tecnológicos como reflexos em espelhos, fotografias, frankensteins, golens, robôs, replicantes e, agora, aplicativos.

terça-feira, fevereiro 28, 2017

"Envelopegate": por que "La La Land" não ganhou o Oscar de Melhor Filme?


O que há por trás do chamado “Envelopegate”, a histórica gafe da troca dos envelopes de premiação do Melhor Filme no Oscar 2017? Certamente, “La La Land” era o favorito da crítica especializada, consciente da lógica da premiação da Academia de Cinema na última década da Era Obama. O seu anúncio foi um “ato falho” cometido por uma empresa (a PricewaterhouseCoopers - PwC) cujo auditor minutos antes postava fotos dos bastidores da cerimônia no Twitter. Ironicamente, uma das empresas responsabilizadas em 2008 pela crise financeira por ter sido “desconcertadamente negligente”. Se Hillary Clinton tivesse ganho as eleições, e junto com ela o “neoliberalismo progressista”, assistiríamos à vitória de “La La Land”. Mas “Moonlight: Sob a Luz do Luar” foi a premiação “the last minute rescue” que serviu de bala para o canhão apontado diretamente na cara de Donald Trump. E o pior é que, ao contrário dos roteiro de filmes hollywoodianos, nessa história não há fronteiras que separem os mocinhos dos bandidos.

domingo, fevereiro 26, 2017

História do beijo do Kama Sutra a Hollywood


O cinema não inventou o beijo. Apenas o tornou mais icônico nas relações dos amantes. Porém, Hollywood deu continuidade a uma, por assim dizer, ocupação semiótica da boca e do beijo atribuindo a eles novas representações simbólicas de velhos significados: distinção de classes, de gêneros e substituto do ato sexual. Da mesma forma, o hindu “Kama Sutra” não inventou o beijo, mas atribuiu a ele a comunhão erótica que o Ocidente fez questão de reprimir e controlar desde os persas e romanos, submetendo-o à ordem do Poder. No cinema, o beijo transformou-se na alienação do desejo ao submetê-lo ao espectador voyeur que, com a boca aberta, também espera o beijo. Porém, a pipoca sublima a compulsão enquanto nos filmes atuais ou o beijo se submete à performance e eficácia ou à reconciliação dos casais diante do apocalipse nos filmes-catástrofe.

sábado, fevereiro 25, 2017

Uma jornada espiritual felina em "Virei um Gato"


Apesar de contar com dois vencedores do Oscar (Kevin Spacey e Christopher Walken) a comédia romântica familiar “Virei um Gato” (Nine Lives, 2016) foi destruída pela crítica: o que esses atores consagrados estão fazendo nessa catástrofe? Eles devem ter contas pesadas para pagar! Mas para o Cinegnose esse filme é um trunfo que confirma uma tese: desde que o Gnosticismo deixou de ser uma exclusividade de filmes cults e foi adotada pelos filmes populares a partir dos anos 1990, os elementos gnósticos deixaram de figurar apenas em sci-fis e dramas cerebrais, para também incursionar em comédias, thrillers e outros gêneros. Por trás de camadas de clichês de uma comédia popular, “Virei um Gato” nos conta a narrativa gnóstica de transformação íntima através da jornada espiritual no corpo de um gato e, principalmente, por um “salto de fé” ao mesmo tempo literal e simbólico, a exemplo de filmes gnósticos mais sérios como “Vidas em Jogo” (1997) e Vanilla Sky (2001).

quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Fissuras no monopólio da Globo: Atletiba, blocos de rua e impeachment no Corinthians


O muro do monopólio da Rede Globo está trincando. Nos últimos dias, uma série de fissuras começaram a surgir: o histórico cancelamento do clássico Atletiba como reação ao monopólio das transmissões esportivas da emissora; o impeachment mal sucedido no Corinthians, no ápice de recorrente pauta negativa da emissora envolvendo a arena do Itaquerão; e o crescimento exponencial do carnaval de blocos, atraindo verbas publicitárias que migram do sambódromo para as ruas, ameaçando um dos principais produtos oferecidos pela emissora ao mercado. Por trás dessas fissuras estão tecnologias de convergência, mídias sociais, empreendedorismo e competição. Tudo aquilo que o telejornalismo e colunistas globais raivosamente defendem como o futuro ético para o País. Mas que, na prática, o monopólio tautista da Globo foge, assim como o diabo foge da cruz. 

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Comercial vende carro e ética na política detonando bomba semiótica


Bombas semióticas 2, A Missão! O Império Contra-ataca! Após as recentes pesquisas revelarem que Lula está mais vivo do que nunca, liderando com folga todos os cenários eleitorais para 2018, e que ainda seus principais adversários estão se desgastando com a evaporação do mar de rosas que, acreditava-se, seria o País pós-impeachment, o complexo jurídico-midiático reage. Depois de novos vazamentos seletivos e busca de mais espécimes assustadores do “Brasil profundo” para figurar na capa de revistas semanais, retiram mais uma vez do paiol midiático a artilharia pesada das bombas semióticas. Dessa vez, em um comercial para TV da GM Brasil no qual se posiciona sobre temas como “ética” e “política” para vender o novo Chevrolet Cruze.  Mais uma vez, a tática de engenharia de percepção – por meio de gestalt, cores e a palavras metonimicamente contaminadas, bombas semióticas criam um pano de fundo para tornar mais crível o cenário político do momento. Reforçam subliminarmente pautas, slogans e clichês disseminados liminarmente pela grande mídia. Um exemplo de como a criação publicitária torna volátil a fronteira entre consumo e cidadania.

domingo, fevereiro 19, 2017

Curta da Semana: "The Crossing" - os subterrâneos do terror


Uma mulher tenta desesperadamente ligar para seu namorado, sentindo-se culpada por um desentendimento que poderá colocar fim na relação. É tarde da noite, e ela desce as escadarias de uma passagem subterrânea para, lá dentro, encontrar o Mal. Ou a si mesma. Esse é o curta russo “The Crossing” (2016) que explora um dos temas preferidos do terror: os subterrâneos. Porões, metrôs, garagens subterrâneas, tuneis etc., ao mesmo tempo que nos fascinam, também nos apavoram. O medo que pode ser tanto interpretado como um arquétipo gnóstico (a metáfora da condição humana prisioneira nesse mundo), como compreendido pelo viés psicanalítico: nos subterrâneos está o nosso inconsciente – culpas e traumas dos quais queremos nos livrar. Mas o reprimido sempre retorna, transformado em monstros e pesadelos.

sábado, fevereiro 18, 2017

Por que o mundo tem que acabar?


Diariamente o mundo acaba diante dos nossos olhos, seja no cinema na atual safra de filmes-catástrofe, em séries de TV sobre Nostradamus, previsões “científicas” de algum tipo de futura catástrofe ambiental ou em algum “hoax” descrevendo cometas, asteroides ou planetas errantes que cairão sobre a Terra. A última, foi sobre um pedaço do Planeta X que supostamente cairia no último dia 16. Por que o mundo tem que ser destruído? No passado, todas religiões possuíam uma Escatologia: alguma narrativa sobre o fim dos tempos onde os maus seriam punidos e os bons salvos. Mas essas religiões se tornaram “líquidas”: sob os escombros das antigas religiões salvacionistas viraram pastiches que se rendem ao utilitarismo das necessidades do presente: “teologia da prosperidade”, “cabala do dinheiro” ou o islamismo dos homens-bomba. Esqueceram-se do futuro. Por isso, essa nova religião “líquida” e ecumênica precisa criar uma nova Escatologia, uma narrativa midiática sobre o “fim dos tempos” que junte convicções eco-ambientais, geofísica e astrofísica. A “Neoapocalíptica” como estratégia de marketing.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Abelhas, ocultismo e TV em "Wax or The Discovery of Television Among The Bees"


O primeiro filme feito para a Internet que estava apenas começando e produzido numa inédita ilha de edição não-linear. No longínquo ano de 1991 o diretor David Blair produziu “Wax or The Discovery of Television Among The Bees” um estranho filme  para cinéfilos corajosos o suficiente para se aventurar em bizarrices hipertextuais sobre abelhas da Mesopotâmia, ocultismo esotérico, histórias da Bíblia, Guerra do Iraque e simuladores de voo militar da NASA. Esse filme independente é um documento histórico da motivação tecnognóstica e esotérica que sempre esteve por trás do desenvolvimento da ciência computacional, ciberespaço e cibercultura. Em tom de documentário, Blair conta a história do neto de um entusiasta de uma sociedade dedicada à comunicação com os mortos, engenheiro de software na base de mísseis de Los Alamos, EUA, que cria uma conexão mística com abelhas (através da “BeeTV”). Para depois ser transportando para uma dimensão mística (o ciberespaço?) na qual verá a Guerra do Iraque sob o ponto de vista do carma e reencarnação... e receberá uma importante missão.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

A celebração da troca do desejável pelo possível em "La La Land"


Por que “La La Land - Cantando Estações” é o grande favorito ao Oscar? Porque está sintonizado com o espírito do tempo desse início de século: nostálgico, vintage, metalinguístico e com um amargo realismo. O filme capta a essência do gênero musical clássico, levando o clichê de “quebra e retorno a ordem” (pessoas que dançam, cantam e sonham, mas que depois voltam à realidade como se nada tivesse acontecido) ao limite. A nostalgia pela era de ouro de Hollywood e do jazz são o consolo para um casal que vê seus sonhos desapontados. Misturando alusões a filmes musicais clássicos, “La La Land” é uma fábula de como o amor nos dá força para realizar o possível. Mas, ao mesmo tempo, pode entrar na contabilização dos sacrifícios de termos perdido tudo aquilo que era desejável.

domingo, fevereiro 12, 2017

Sete filmes que anteviram a crise da segurança no Espírito Santo


O cinema e o audiovisual parecem ter o estranho poder de prever cenários futuros: a eleição de Donald Trump, o atentado ao WTC em 2001, o atentado na Maratona de Boston em 2013, a hegemonia econômica da China etc. em filmes e séries como “”Os Simpsons, “Americathon” ou “Lone Gunmen”. No auge do neoliberalismo de Reagan e Thatcher nos anos 1980, filmes como “Robocop” e “Max Headroom” apresentavam futuros distópicos, efeitos colaterais das políticas de austeridade e privatizações que agora acompanhamos ao vivo nas ruas do Estado do Espírito Santo – no vazio do poder público sucateado, as ruas são dominadas por crimes, saques e assassinatos. O Exército chegou para ocupar as ruas. Mas será que o próximo passo, seguindo a cartilha neoliberal, é a privatização das forças de segurança, assim como a OCP (“RoboCop”), MNU (“Distrito 9”), Tetravaal (“Chappie”) ou a NYPC (“From The Future With Love”)? Acompanhe a lista de sete filmes que anteviram cenários futuros nos quais o Brasil está entrando.

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